Joana Pires, animadora sociocultural em Setúbal, partilha o impacto das atividades
extracurriculares na inclusão social. A entrevista aborda desafios, recompensas e
exemplos práticos de projetos, trazendo conselhos para quem deseja atuar na área.
Como é um dia típico na animação sociocultural extracurricular?
A rotina de uma animadora sociocultural passa por planear, dinamizar e avaliar
atividades que promovam a inclusão e o bem-estar dos participantes. Num dia
típico, posso estar a organizar oficinas criativas, jogos colaborativos ou
eventos interculturais. A adaptação ao grupo é constante: ajusto as dinâmicas
conforme a energia, necessidades e perfis dos jovens. O objetivo principal é
criar ambientes seguros onde todos se sintam valorizados, principalmente os que
chegam de contextos vulneráveis.
Que obstáculos encontra e como os supera?
O maior desafio é garantir que todos se sintam incluídos, independentemente da
sua origem, competências ou situação social. Muitas vezes, é preciso trabalhar
preconceitos, medos e barreiras linguísticas. Já tive de adaptar atividades em
tempo real para integrar jovens recém-chegados ao país. Nessas situações, a
escuta ativa e a flexibilidade são fundamentais. Também trabalho em parceria com
escolas e famílias para reforçar o sentimento de pertença e participação.
O que considera mais gratificante na sua função?
O que mais me motiva é ver a transformação dos participantes. Lembro de um
projeto em que jovens pouco comunicativos passaram a liderar atividades e a
propor novas ideias para o grupo. Ver essa evolução, mesmo que lenta, é a maior
recompensa. O reconhecimento dos colegas e o reforço positivo da equipa mostram
que as atividades extracurriculares têm impacto real na vida de quem participa.
Como estas experiências influenciaram o seu desenvolvimento profissional?
As atividades extracurriculares foram decisivas para o meu percurso. Foi nelas
que aprendi a trabalhar em equipa, gerir conflitos e adaptar estratégias
consoante cada grupo. A experiência prática, sobretudo com públicos diversos,
deu-me ferramentas que não se aprendem em contexto formal. Acredito que a
formação contínua e o contacto direto com diferentes realidades fazem toda a
diferença para quem atua em animação sociocultural.
Que conselhos deixa a quem pretende seguir animação sociocultural
extracurricular?
A quem quer atuar na área, recomendo começar por observar e escutar: conhecer o
grupo é o ponto de partida para qualquer atividade bem-sucedida. Valorize as
pequenas conquistas e não desista diante das primeiras dificuldades. Formações
práticas e a troca com colegas da área são essenciais para crescer como animador
sociocultural. Acima de tudo, mantenha a mente aberta e cultive a empatia.
Saiba como competências de inclusão social se traduzem em oportunidades
Consulte o
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e veja como estas experiências são valorizadas em percursos de inclusão social e
profissional.