Entrevista com uma coordenadora de projetos sociais
Abril 2026
Mariana Lopes, de Lisboa, é ex-aluna do programa e hoje atua como coordenadora de projetos sociais numa organização sem fins lucrativos. Conversámos sobre as exigências do seu trabalho, as competências que fazem diferença e como as experiências extracurriculares a prepararam para desafios concretos. A entrevista aborda um dia típico, obstáculos, aspetos gratificantes e conselhos para quem quer seguir carreira na área.
Pode descrever como é um dia típico no seu papel de coordenadora de projetos?
O meu trabalho atual exige flexibilidade mental e uma atenção constante às necessidades das equipas com quem colaboro. Coordeno projetos sociais direcionados a jovens, o que envolve planear atividades, gerir recursos limitados e fazer pontes entre diferentes entidades. O dia raramente é previsível: podem surgir imprevistos logísticos, conflitos de agendas ou dúvidas de última hora dos participantes. Tento manter um equilíbrio entre cumprir objetivos do projeto e dar espaço para a criatividade da equipa. Não existe rotina fixa, mas há sempre uma missão clara: garantir impacto social real a partir do envolvimento dos jovens.
Quais são os maiores desafios no seu trabalho e como os ultrapassa?
O maior desafio é lidar com a incerteza e adaptar rapidamente planos quando algo foge do esperado. Já tivemos atividades canceladas por condições meteorológicas ou parceiros que mudaram requisitos à última hora. Nesses momentos, a pressão aumenta e a equipa depende de respostas rápidas e comunicação eficaz. O que me ajuda é ter participado em atividades extracurriculares: aprendi a improvisar, a negociar com diferentes perfis e a manter a calma sob stress. Sinto que sem essas experiências, seria muito mais difícil gerir tantas variáveis em simultâneo.
O que considera mais gratificante no seu percurso até aqui?
A parte mais gratificante é ver o crescimento dos participantes ao longo do projeto. É raro ter feedback imediato, mas com o tempo noto mudanças reais: jovens que ganham confiança, desenvolvem novas ideias e passam a liderar iniciativas. Isso valida todo o esforço investido. Também me orgulho das oportunidades que conseguimos criar para perfis pouco valorizados, mostrando que o envolvimento fora da escola pode mudar trajetórias.
Como as atividades extracurriculares influenciaram o seu desenvolvimento profissional?
No início, duvidei que as atividades extracurriculares fossem ter impacto além do currículo. Achei que seriam apenas um complemento. No entanto, com o tempo, percebi que ali desenvolvi competências que os cursos tradicionais não oferecem: liderança, pensamento crítico e gestão emocional. Foram essas competências que me permitiram assumir funções de coordenação e lidar com situações imprevistas. O reconhecimento dos colegas e das entidades veio precisamente das soluções criativas que pude aplicar.
Que conselhos daria a quem está a iniciar uma carreira em projetos sociais?
Para quem está a começar, diria para não subestimar experiências fora da sala de aula. Cada projeto, por menor que pareça, é uma oportunidade de aprendizagem e pode fazer diferença em processos seletivos. Recomendo procurar orientação de mentores e participar em equipas multidisciplinares. O importante é não se isolar e estar aberto a novos desafios, pois a maior parte das competências de liderança e resiliência surge em contextos inesperados.