Como oficinas extracurriculares desenvolvem competências sociais

Como oficinas extracurriculares desenvolvem competências sociais

Sofia Cardoso sorrindo, fundo claro, ambiente profissional
Sofia Cardoso, facilitadora de oficinas juvenis em Braga, partilha os bastidores do seu trabalho com jovens, abordando a rotina, desafios e o valor das atividades extracurriculares no desenvolvimento de competências sociais. A entrevista destaca exemplos práticos e conselhos para quem pretende atuar na área.

Como é o dia típico de uma facilitadora de oficinas extracurriculares?

O início de uma oficina juvenil é sempre marcado por ansiedade: os participantes chegam inseguros, muitas vezes com receio de se expor. Começo com dinâmicas de apresentação para quebrar o gelo e criar um ambiente de confiança. Depois, trabalhamos temas como comunicação, empatia e tomada de decisão em grupo. O dia passa rápido, com atividades práticas e debates. No final, procuro recolher feedback, para ajustar futuros encontros e perceber onde o grupo evoluiu.

Quais os desafios mais comuns nas oficinas e como são superados?

A maior dificuldade é garantir que todos se sintam integrados, especialmente os mais reservados. Já tive casos de jovens que evitavam falar, mas com o tempo, e usando técnicas de escuta ativa e pequenos desafios, consegui trazê-los para o centro do grupo. O segredo está em respeitar o tempo de cada um e nunca forçar intervenções. Também enfrento o desafio de motivar quem acha que estas oficinas são irrelevantes. O impacto só aparece quando percebem que estão a desenvolver competências úteis para a vida.

O que traz mais satisfação no seu trabalho com jovens?

O mais gratificante é ver participantes antes tímidos ganharem voz e confiança. Recentemente, uma jovem partilhou que conseguiu defender sua opinião em casa graças a exercícios feitos na oficina. São esses pequenos progressos que mostram o valor do trabalho. Outra satisfação é quando o grupo começa a colaborar espontaneamente, sem minha mediação direta.

De que forma as atividades extracurriculares influenciaram a sua trajetória profissional?

Sem as experiências extracurriculares, acredito que não teria desenvolvido a mesma capacidade de comunicação e mediação. Enquanto estudante, participei de oficinas semelhantes e foi aí que aprendi técnicas que hoje aplico com os jovens. A empatia, a escuta ativa e a gestão de conflitos são competências construídas em contexto prático, muito além do que se aprende em teoria.

Que conselho deixa para futuros facilitadores de oficinas extracurriculares?

Diria a quem está a começar que não tenha medo de errar. Cada oficina é diferente e exige adaptação constante. Aconselho procurar formação contínua e pedir feedback aos próprios participantes. O mais importante é criar um ambiente seguro, onde todos possam experimentar e crescer sem julgamentos.

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