Como oficinas extracurriculares desenvolvem competências sociais
Como é o dia típico de uma facilitadora de oficinas extracurriculares?
O início de uma oficina juvenil é sempre marcado por ansiedade: os participantes chegam inseguros, muitas vezes com receio de se expor. Começo com dinâmicas de apresentação para quebrar o gelo e criar um ambiente de confiança. Depois, trabalhamos temas como comunicação, empatia e tomada de decisão em grupo. O dia passa rápido, com atividades práticas e debates. No final, procuro recolher feedback, para ajustar futuros encontros e perceber onde o grupo evoluiu.
Quais os desafios mais comuns nas oficinas e como são superados?
A maior dificuldade é garantir que todos se sintam integrados, especialmente os mais reservados. Já tive casos de jovens que evitavam falar, mas com o tempo, e usando técnicas de escuta ativa e pequenos desafios, consegui trazê-los para o centro do grupo. O segredo está em respeitar o tempo de cada um e nunca forçar intervenções. Também enfrento o desafio de motivar quem acha que estas oficinas são irrelevantes. O impacto só aparece quando percebem que estão a desenvolver competências úteis para a vida.
O que traz mais satisfação no seu trabalho com jovens?
O mais gratificante é ver participantes antes tímidos ganharem voz e confiança. Recentemente, uma jovem partilhou que conseguiu defender sua opinião em casa graças a exercícios feitos na oficina. São esses pequenos progressos que mostram o valor do trabalho. Outra satisfação é quando o grupo começa a colaborar espontaneamente, sem minha mediação direta.
De que forma as atividades extracurriculares influenciaram a sua trajetória profissional?
Sem as experiências extracurriculares, acredito que não teria desenvolvido a mesma capacidade de comunicação e mediação. Enquanto estudante, participei de oficinas semelhantes e foi aí que aprendi técnicas que hoje aplico com os jovens. A empatia, a escuta ativa e a gestão de conflitos são competências construídas em contexto prático, muito além do que se aprende em teoria.
Que conselho deixa para futuros facilitadores de oficinas extracurriculares?
Diria a quem está a começar que não tenha medo de errar. Cada oficina é diferente e exige adaptação constante. Aconselho procurar formação contínua e pedir feedback aos próprios participantes. O mais importante é criar um ambiente seguro, onde todos possam experimentar e crescer sem julgamentos.